Amores pela metade. Planos incompletos. Corações partidos, mesmo sendo tão sinceros. Sonhos não vividos mesmo que tenham sido tão planejados. Descobertas não feitas. Amizades desfeitas. Um mundo incompleto interno e externo.
''Mas o que me estaria faltando??'' - pergunto-me enquanto caminho.
Sento-me num banco da praça. Abotôo mais o casaco e puxo mais para mim a manta a fim de me proteger do frio.
Vejo as folhas pelo chão sendo levadas pelo vento de inverno. Paro e observo com mais atenção ao espetáculo que me é oferecido. Admirada, abro um sorriso bobo, encantada pela beleza da natureza.
O frio permanece imponente e tão gélido, mas não me importo. Tiro minhas luvas e coloco-as sobre a fina camada de neve que se formou sobre o banco. E depois a manta e o casacão. Só fico de base e boina. Imediatamente me sinto mais leve, mas não é por causa do peso das roupas. Uma leveza de espírito sabe? Como se estivesse me conectando com a natureza [...] e comigo mesma.
Inspiro profundamente o ar a minha volta e coloco minha mãos sobre a neve. Permaneço assim por um tempo.
''Mas é claro!!''-sussurrei em meio ao frio.
E o que antes eu não entendia começou a ficar claro, como o alvorecer do verão. Entendi o porquê de não ter conseguido realizar tantas coisas antes. Minha vida era um rascunho!Um rascunho dos meus sonhos, dos meus amores... de TUDO.
E percebo que rascunhos nem sempre tem a oportunidade de se concretizarem. Seja porque você não teve tempo de passar a limpo ou por te-los deixados em cima da mesa e o vento os tenha levado embora.
''Chega de uma vida pela metade'' - penso com convicção.
Me agasalho novamente, mas permaneço sentada. Grata por saber a resposta e pelo tempo que teria pela frente para poder viver plenamente.
[...]
Com o entardecer começou a nevar.
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